LA “VOCE” DEL CAFFÈ LETTERARIO

1) L’autore – Presentazione schematica di un autore contemporaneo di lingua portoghese.

DICEMBRE 2008

Gonçalo M. Tavares: disincanto e perplessità

goncalo2Nasce da genitori portoghesi a Luanda, Angola, nel 1970. Nel 2000 gli viene offerta la borsa di studio per la Creazione Letteraria dal Ministero della Cultura e dall’Istituto Portoghese del Libro (IPBL). L’esordio avviene nel 2001 con un libro di poesia, O Livro da dança. Da allora ha pubblicato un gran numero di opere, che spaziano dalla poesia alla drammaturgia e dalla narrativa alla saggistica. Con una boutade ha sostenuto che questi ritmi di pubblicazione gli sono stati imposti dall’esigenza di “liberare alcuni metri quadrati di casa”, occupati da manoscritti che sono il frutto di dodici anni interamente dedicati alla lettura e alla scrittura.

In poco più di un lustro, il versatile scrittore si è quindi affermato come uno dei protagonisti della narrativa in lingua portoghese, entusiasmando la critica e raccogliendo giudizi come quello espresso dal Nobel José Saramago a proposito di Jerusalém “… È un grandissimo libro… A soli 35 anni Gonçalo M. Tavares non ha il diritto di scrivere così bene: viene quasi voglia di picchiarlo!”. Le sue opere hanno ricevuto prestigiosi premi, sono state pubblicate anche in Brasile e tradotte in italiano, spagnolo, francese e inglese.

Una curiosità: l’autore numera tutti i suoi libri e li designa come “Cadernos” (Quaderni), rendendo l’immagine di una progressione che unisce tutto il suo lavoro letterario. La sua opera, pur costituendo un insieme organico, come l’idea di “Quaderni” lascia intuire, è suddivisa dallo stesso autore in diverse serie e linee di sviluppo.

La serie dei Signori, inaugurata da O Senhor Valéry, si avvale della collaborazione dell’illustratrice Rachel Caiano e prendendo a prestito il linguaggio elementare dei libri per l’infanzia articola in modo sorprendente ed inaspettato riflessioni di tipo filosofico. Una seconda serie è costituita da quelli che l’autore designa come “libri neri”, definizione che, per sua stessa ammissione, vuole suggerire “una certa durezza, un certo disincanto”, si tratta di Um Homem: Klaus Klump, A máquina de Joseph Walser e del pluripremiato Jerusalém. A questa già ricca produzione si aggiungono i testi poetici, drammatici e i bloom books, testi che difficilmente si possono inquadrare in un genere letterario preciso. Le composizioni O homem ou é tonto ou é mulher e A colher de Samuel Beckett sono state portate sulla scena con successo.

Volendo individuare un filo conduttore nella sua produzione potremmo individuare la volontà di percorre nuovi cammini, tentando di utilizzare forme inedite o rinnovando quelle tradizionali. Forse la sua principale abilità è quella di provocare cortocircuiti semantici, rivelando il lato paradossale del nostro quotidiano, provocando in chi legge una perplessità incuriosita, istillando con una scrittura raffinatissima e di clinica precisione il germe contagioso dell’incertezza e del disincanto. Questo è il Signor Tavares.

Matteo Rei


 

2) La novità editoriale – Spazio dedicato ad una novità editoriale (italiana e non solo) inerente al mondo delle Lettere lusofone.

DICEMBRE 2008

«Il venditore di passati» di José Eduardo Agualusa (Angola)

Eduardo Agualusa

Si capisce subito che qualcosa non quadra. La trama scivola tra i pensieri di qualcuno che osserva e ascolta tutto dall’alto. Soffitti e pareti hanno occhi e orecchie a casa del albino Félix Ventura. E la storia scorre, con i movimenti minuti, rapidi, aderenti della misteriosa presenza.

C’è chi, in Angola, può fare fortuna smazzando biglietti da visita che promettono: «Assicuri ai suoi figli un passato migliore». C’è chi, prosperando con il suddetto commercio, può imbattersi in un cliente che sembra prendere il gioco un po’ troppo sul serio. E c’è pure chi può finire per innamorarsi dell’inevitabile donna dei misteri: una fotografa che gira il mondo. Félix Ventura unisce a tutti questi requisiti un nome che sembra condannarlo all’ottimismo, la smania della bibliofilia ereditata dal padre libraio e il privilegio di poter stabilire un contatto onirico con l’essere che scruta, senza farsi vedere, ogni suo gesto.

Nel nuovo libro di Agualusa c’è gente che nasce, c’è gente che rinasce, c’è gente che cambia il proprio passato, c’è gente che abbandona la realtà per la finzione e ci sono conti in sospeso che in ogni caso non è possibile eludere. C’è chi muore. E, soprattutto, c’è la maestria narrativa e l’ironica leggerezza di un Eça de Queirós australe, che accompagna di storia in storia, confonde, sorprende e, quel che più conta, diverte dall’inizio alla fine.

Matteo Rei

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A “VOZ” DO CAFÉ LITERÁRIO

1) O autor – Apresentação esquemática de um autor contemporâneo de língua portuguesa.

DEZEMBRO 2008

Gonçalo M. Tavares: desencanto e perplexidade

Filho de pais portugueses, nasce em Luanda, Angola, em 1970. Em 2000 é-lhe oferecida a bolsa de estudo para a Criação Literária do Ministério da Cultura e do Instituto Português do Livro (IPBL). O sucesso surge em 2001 com um livro de poesia, O Livro da dança. Desde então tem publicado um grande número de obras, da poesia à dramaturgia e da narrativa ao ensaio. Com uma boutade afirmou que estes ritmos de publicação lhe foram impostos pela exigência de ” desocupar alguns metros quadrados de casa”, invadidos por manuscritos que são o fruto de doze anos inteiramente dedicados à leitura e à escritura.

Em pouco mais de 5 anos, o versátil escritor afirmou-se, desta forma, como um dos protagonistas da narrativa em língua portuguesa, entusiasmando a crítica e reunindo opiniões como aquela expressa pelo Nobel José Saramago a propósito de Jerusalém “… É um grande livro… Com apenas 35 anos Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem: dá vontade de lhe bater!”. As suas obras receberam prémios prestigiosos e foram publicadas também no Brasil e traduzidas em italiano, espanhol, francês e inglês.

Uma curiosidade: o autor numera todos os seus livros e desenha-os em “Cadernos”, dando a imagem de uma progressão que une todo o seu trabalho literário. A sua ópera, ainda que constituindo um todo orgânico – como a ideia de “Cadernos” deixa intuir – está dividida pelo próprio autor em diversas séries e linhas de desenvolvimento.

A série “Senhores”, inaugurada por O Senhor Valéry, goza da colaboração da ilustradora Rachel Caiano e, apropriando-se da linguagem elementar dos livros para a infância, articula de modo surpreendente e inesperado reflexões de tipo filosófico. Uma segunda série é constituída por aqueles que o autor define como “livros negros”, definição que, por si própria, sugere “uma certa dureza, um certo desencanto”. Trata-se de Um Homem: Klaus Klump, A máquina de Joseph e do multipremiado Jerusalém. A esta já rica produção juntam-se os textos poéticos, dramáticos e os bloom books, textos que dificilmente se podem enquadrar num género literário preciso. As composições O homem ou é tonto ou é mulher e A colher de Samuel Beckett foram levadas a cena com sucesso.

Procurando identificar um fio condutor na sua produção poderemos individuar a vontade de percorrer novos caminhos, tentando utilizar formas inéditas ou renovando aquelas tradicionais. Talvez a sua principal habilidade seja aquela de provocar curto-circuitos semânticos, revelando o lado paradoxal do nosso quotidiano, provocando em quem lê uma perplexidade de curiosidade feita, instilando com uma escritura refinadíssima e de precisão clínica o germe contagioso da incerteza e do desencanto. Este é o Senhor Tavares.

Matteo Rei (Tradução: Filipa Lacerda)

 

2) As novidades editoriais – Espaço dedicado a uma novidade editorial (italiana e não só) inerente ao mundo das Leituras Lusófonas.

DEZEMBRO 2008

“O vendedor de passados” de José Eduardo Agualusa (Angola)

Compreende-se desde logo que alguma coisa não encaixa. A trama desliza entre os pensamentos de alguém que observa e ouve tudo do alto. Tectos e paredes têm olhos e orelhas na casa do albino Félix Ventura. E a história escorre, com os movimentos miúdos, rápidos, agarrados à misteriosa presença.

Há quem, em Angola, possa fazer fortuna distribuindo bilhetes de visita que prometem: “Garantes aos teus filhos um passado melhor”. Há quem, prosperando com este comércio, possa esbarrar num cliente que parece levar o jogo demasiado a sério. E há mesmo quem possa acabar por se apaixonar pela inevitável mulher dos mistérios: uma fotógrafa que viaja pelo mundo. Félix Ventura junta a todos estes requisitos um nome que parece condenado ao optimismo, o frenesim da bibliofilia herdada pelo pai livreiro e o privilégio de poder estabelecer um contacto onírico com o ser que perscruta, sem se fazer ver, cada gesto seu.

No novo livro de Agualusa há gente que nasce, há gente que renasce, há gente que muda o próprio passado, há gente que abandona a realidade pela ficção e há contas por ajustar que em caso algum é possível evitar. Há quem morra. E, sobretudo, há a mestria narrativa e a irónica ligeireza de um Eça de Queirós austral, que acompanha história a história, confunde, surpreende e, o que mais conta, diverte do princípio ao fim.

Matteo Rei (Tradução: Filipa Lacerda)

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